“Beatriz e o Plátano” – Crónica de Ivo Cruz

«(…)Recebi-o como prémio. O meu primeiro prémio. Na escola Pero Vaz de Caminha, nome do escrivão da armada de navios de Pedro Alvares Cabral, escola nova que eu estreei, no meu 7ºano, ganhei o primeiro prémio de desenho. O melhor desenho da escola. Nunca tinha ganho qualquer prémio, até aí e poucos realmente ganhei até agora. À frente de toda a gente, o director da escola deu-me um livro. Disse umas palavras bonitas, eu curvei a boca e acenei a cabeça e depois da euforia e entusiasmo do reconhecimento, caí um pouco em mim pensando, enquanto fios de suor caiam do meu rosto, depois de um joguinho de bola, que se calhar seria melhor terem-me oferecido a bolita que deram ao terceiro lugar. Nesse dia não prestei muita atenção ao livro que recebi. Educado, agradeci o meu presente e com regozijo, recebi as palmas de todos. Meti o livro na sacola, da mesma forma que fazia com os livros da escola. Era mais um pensei. Depois lembro-me de correr para o campo, como qualquer criança o faz: com energia. E muitas mais pingas de suor perdi, até chegar a casa.

De regresso a casa, mal sabia que transportava um livro que iria emoldurar a minha infância e tornar-se um ícone, um valor para o que faço. Lutar pelo que acredito. Ilse Losa a escritora, escreveu-o numa prosa acessível, e até sedutora para crianças como eu, pouco habituadas a ler. (…)»  

  •  A ler o texto completo, obrigatoriamente ;-) aqui, pelo que diz dos plátanos, pelo que diz da leitura, pelo que diz deste livro de Ilse Losa.

Ilse Losa na revista Blimunda nº 10

nº 10 da Revista Digital Blimunda dedica a sua  secção Infantil e Juvenil  (p. 23 a 43) a Ilse Losa, no âmbito do centenário do seu nascimento. Podem ler-se os seguintes artigos:

  • “Ilse Losa , uma voz inovadora” – José António Gomes;
  • “Era uma vez …dois cães  num país açaimado”- Ana Cristina Vasconcelos;
  • “Ilse Losa”  – Álvaro Magalhães;
  • “A Ilse” – Manuela Bacelar ;
  • Reprodução fac-símile do texto de Ilse Losa  “A Linguagem na Literatura Infantil”, publicado em 1948 na revista Vértice.
«(…) Um número feliz da Blimunda» aqui 

(via O Jardim Assombrado)

A flor azul – 1955


Filme com as ilustrações de Mário Bonito e Fernando Bento (sobrecapa..) para o livro de Ilse Losa A flor azul  publicado pela Livraria Figueirinhas em 1955.

Música: “Sneeuwland” de Oskar Schuster (fonte http://freemusicarchive.org/ )

Beatriz e o plátano

Para acompanhar a leitura do livro... com fotos de (verdadeiros) plátanos monumentais. *

“Em todas as janelas…”

IlseLosa-inJungle World Nr. 12, 21. März 2013

fonte: Jungle World Nr. 12, 21. März 2013
http://jungle-world.com/artikel/2013/12/47383.html

21-03-2013:
« “An allen Fenstern Lumenfetzen”

Eine Erinnerung an die deutsch-jüdische Autorin Ilse Losa, die 1933 nach Portugal ins Exil ging und in Deutschland heute vergessen ist.».

Interessante  artigo de opinião, de teor recriminativo, assinalando a comemoração do centenário de Ilse Losa em Portugal e lamentando a pouca atenção dada à escritora na Alemanha :
«(…) Em Portugal,  este ano é comemorado graças a um carinho especial nutrido por Ilse Losa, muitas bibliotecas têm exposições da sua obra  e os seus livros tornaram-se leitura obrigatória nas escolas portuguesas.   Quem os quiser ler , no seu país de origem, apenas pode comprar poucas  traduções e em segunda mão.  O seu trabalho despertou pouco interesse, e sete anos depois de sua morte, ela é quase esquecida na Alemanha. O que é lamentável, porque os seus contos e romances são caracterizados por uma beleza melancólica e suas reflexões sobre a importância da memória e do passado constituem  também um documento único sobre a vida dos refugiados judeus alemães em Portugal. ()» (excerto adaptado em pt via googletradutor)

Obrigada, Ilse Losa

O Príncipe Nabo

2000_IlseLosa_principenabo_manuelaBacelarO Príncipe Nabo / Ilse Losa ; il. Manuela Bacelar. – [s.l.] : Afrontamento, 2000. – (Tetras e letras ; 27)

Recensão Casa da Leitura:
«A hesitação entre dois universos, testemunhados quer pela presença de dois grupos distintos de personagens, quer pela referência a dois espaços antitéticos, o dos “pobres” e o dos “ricos”, representa a linha temática orientadora desta peça. Esta é uma obra em que a auto-aprendizagem “daquilo que realmente conta na vida” surge ficcionalizada não raras vezes através dos três tipos de cómico, o de linguagem, o de situação e o de carácter. Aspectos como o recurso a expressões de tonalidade francesa, os nomes dos pretendentes da Princesa Beatriz e as sucessivas situações de pedido e de recusa da sua mão ou, ainda, a presença do Bobo, com cuja actuação encerra a acção, contribuem para a construção humorística que caracteriza a obra. »

  • Outras edições:

O Príncipe Nabo da Nabolândia ; João e Guida / Ilse Losa. – Porto : Livraria Divulgação, 1962  (nota: título da capa : 2 peças infantis)

 Princípe nabo / Ilse Losa ; il. Fernando Relvas. – Lisboa : Plátano, 1978. – (Plátano de Abril ; 10) (Fonte da imagem  aqui )