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“Beatriz e o Plátano” – Crónica de Ivo Cruz

«(…)Recebi-o como prémio. O meu primeiro prémio. Na escola Pero Vaz de Caminha, nome do escrivão da armada de navios de Pedro Alvares Cabral, escola nova que eu estreei, no meu 7ºano, ganhei o primeiro prémio de desenho. O melhor desenho da escola. Nunca tinha ganho qualquer prémio, até aí e poucos realmente ganhei até agora. À frente de toda a gente, o director da escola deu-me um livro. Disse umas palavras bonitas, eu curvei a boca e acenei a cabeça e depois da euforia e entusiasmo do reconhecimento, caí um pouco em mim pensando, enquanto fios de suor caiam do meu rosto, depois de um joguinho de bola, que se calhar seria melhor terem-me oferecido a bolita que deram ao terceiro lugar. Nesse dia não prestei muita atenção ao livro que recebi. Educado, agradeci o meu presente e com regozijo, recebi as palmas de todos. Meti o livro na sacola, da mesma forma que fazia com os livros da escola. Era mais um pensei. Depois lembro-me de correr para o campo, como qualquer criança o faz: com energia. E muitas mais pingas de suor perdi, até chegar a casa.

De regresso a casa, mal sabia que transportava um livro que iria emoldurar a minha infância e tornar-se um ícone, um valor para o que faço. Lutar pelo que acredito. Ilse Losa a escritora, escreveu-o numa prosa acessível, e até sedutora para crianças como eu, pouco habituadas a ler. (…)»  

  •  A ler o texto completo, obrigatoriamente ;-) aqui, pelo que diz dos plátanos, pelo que diz da leitura, pelo que diz deste livro de Ilse Losa.

Beatriz e o plátano

Para acompanhar a leitura do livro... com fotos de (verdadeiros) plátanos monumentais. *

Beatriz e o plátano

1976_beatrizeoplatano

Beatriz e o plátano / Ilse Losa ; il. Lisa Couwenbergh. Porto : ASA, 1976.

«A história de uma menina – a Beatriz – que todos os dias vê diante da sua janela um enorme plátano, de tronco grosso e copa farta. Para Beatriz, aquela árvore fazia parte da sua vida, tal como um bom amigo. Ora, certo dia, as autoridades decidem deitar o plátano abaixo, a pretexto de árvore tão antiga não se enquadrar na moderna paisagem que elas tinham planeado para a cidade. E é a determinação da Beatriz em defesa do seu “velho amigo” que acaba por dissuadir as ditas autoridades de levarem a cabo o seu plano.» (sinopse da editora)

Entre a primeira edição de 1976 e a última (acho que vai na 13ª edição) , muitas terão sido as crianças (e esperemos que adultos também)  a ficar conquistados pelo espírito de Beatriz. Esta obra de Ilse Losa é considerada pioneira no que concerne a divulgação dos direitos e deveres da cidadania e o respeito  pelo património natural.

beatrizeoplatanoÉ um dos meus livros favoritos de Ilse Losa que apenas descobri na idade adulta e como professora. E todos os anos lemos este livro, ritualmente, acompanhando a chegada da primavera e das folhinhas das árvores. Só lamento que a ilustradora não tenha escolhido desenhar verdadeiramente um plátano com as suas folhas e ritidoma inconfundíveis.

Por isso uso esta apresentação com fotografias de alguns plátanos monumentais (fazendo jus à árvore).
Beatriz e o platano
Em cima uma colagem com as ilustrações de Lisa Couwerbergh que também ilustrou a última edição de A flor azul (1976).

(Texto completo do livro aqui)